terça-feira, 28 de maio de 2013

DANIEL de SÁ

A notícia da morte do escritor açoriano Daniel de Sá leva-nos a dedicar-lhe de novo algumas palavras. O facto de Daniel de Sá ter vivido parte da sua vida em Santa Maria, faz com que este seja um momento triste para muitos marienses.


No blogue da biblioteca vamos voltar a destacá-lo como um escritor amigo, conhecido e reconhecido, publicando de novo o artigo que lhe dedicámos em novembro de 2012, quando o escolhemos para a rubica " Um livro das nossas ilhas".
O escritor partiu mas resta-nos a certeza de que ficará para sempre connosco, através da sua obra. 

Visite a exposição que preparámos sobre o autor e a sua obra, na Biblioteca Escolar

Daniel de Sá nasceu na Maia, S. Miguel, a 2.3.1944. Viveu em Santa Maria de 1946 a 1959. Fez o Curso Geral dos Liceus até ao 4º ano no Externato de Santa Maria, e o 5º ano no Externato Ribeiragrandense. Curso do Magistério Primário (Escola do Magistério Primário de Ponta Delgada, 1960/1962). Lecionou de 1962 a 1966, nos Fenais da Ajuda, cumprindo a seguir o serviço militar nas Caldas da Rainha, Tavira e Arrifes (S. Miguel). Depois de um ano como professor na escola do ensino básico da Maia, partiu para Espanha, onde fez o noviciado em Moncada, Valência, onde estudou Filosofia. Frequentou Teologia no Seminário Diocesano de Valência e na Faculdade de Teologia de Granada. Em finais de 1973 regressou a S. Miguel, passando pela escola do ensino básico de S. Brás. A partir do ano letivo de 1974/75 lecionou, até à aposentação, na escola da Maia.

Exerceu vários cargos públicos. Entre outros, foi Secretário Regional (equivalente a diretor regional) da Comunicação Social e Desporto, na Junta Regional dos Açores; deputado nas primeiras duas legislaturas da Assembleia Regional; vereador da Câmara Municipal da Ribeira Grande; e membro da Assembleia Municipal deste concelho.

É um dos escritores açorianos que com mais frequência escolhem cenários não açorianos para situar geográfica e socialmente as suas obras, se bem que raramente viaje para fora do arquipélago. Além disso, normalmente adapta a sua escrita aos tempos históricos e à cultura das personagens. A sua escrita, reveladora de vasta erudição, é muitas vezes ilustrada com histórias reais perspicazmente captadas na ilha, sobretudo na sua Maia.

Ganhou o prémio Nunes da Rosa, da Secretaria Regional de Educação e Cultura, com a novela Um Deus à Beira da Loucura, e foi por duas vezes vencedor do prémio Gaspar Frutuoso, de Literatura, da Câmara Municipal da Ribeira Grande. Primeiro com Crónica do Despovoamento das Ilhas e depois com A Terra Permitida.

O seu livro Ilha Grande Fechada, juntamente com outros de autores também açorianos, fez parte de uma tese de doutoramento sobre Literatura Açoriana e Emigração, na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, de Porto Alegre. O mesmo romance serviu de tema para duas teses de mestrado naquela Universidade, merecendo, em ambos os casos, um elogio do próprio júri. Foi o criador dos Encontros de Escritores Açorianos, tendo organizado os primeiros três, que se realizaram na Maia. É colaborador da imprensa, sobretudo açoriana, desde 1964. Com frequência colabora em blogues publicando versos humorísticos com muita verve. Por vezes as suas colaborações surgem sob a forma de imitação intencional dos estilos de grandes escritores.

Onésimo Teotónio Almeida (ENCICLOPÉDIA AÇORIANA)
OBRAS:

Génese (novela), edição da D.R.A.C. da Secretaria Regional de Educação e Cultura, Angra do Heroísmo, 1982: Durante a Guerra Civil espanhola, Don Francisco Calvera Ten, um padre da província de Valência, teme os Republicanos e não gosta dos Nacionalistas. E deu-lhe em duvidar do próprio Deus…

Sobre a Verdade das Coisas (crónicas-contos), edição da Junta de Freguesia da Maia, 1985: A vida rural de S. Miguel. A ficção ao serviço da realidade, a realidade ao serviço da ficção. Mas onde o real é bem mais forte do que o imaginário.

O Espólio (novela), edição Signo, Ponta Delgada, 1987: Se uma ilha dos Açores sofresse um ataque nuclear, que poderia resultar daí para a felicidade ou infelicidade do Mundo? Talvez nada mais do que o Prémio Pulitzer para a melhor reportagem sobre a tragédia.

A Longa Espera (contos), edição Signo, Ponta Delgada, 1987: E se o Natal fosse um homem vindo de longe, de onde os rios correm sempre, para se sentar diante de uma fonte seca, num sacrifício de implorar a chuva aos Céus e até à sua própria morte? E se o Natal fosse e não fosse o resto?…

Bartolomeu (teatro), edição da D.R.A.C. da Secretaria Regional da Educação e Cultura, Angra do Heroísmo, 1988: Um dos maiores navegadores portugueses de todos os tempos julga-se com direito de ir à Índia. Razões de Estado tiram-lhe esse privilégio em favor de Vasco da Gama, um capitão intransigente. O drama de Bartolomeu Dias, que o não mereceu.

Um Deus à Beira da Loucura (novela), edição da D.R.A.C. da Secretaria Regional da Educação e Cultura, Angra do Heroísmo, 1990: Se Cristo reencarnasse e fosse condenado a um campo de concentração nazi, resistiria melhor do que um prisioneiro ateu?

Ilha Grande Fechada (romance), edição Salamandra, Lisboa, 1992: João peregrina à volta da ilha no cumprimento de uma promessa e na despedida da sua terra antes de emigrar para o Canadá. E acaba por compreender que "sair da ilha é a pior maneira de ficar nela".

A Criação do Tempo, do Bem e do Mal (ensaio), edição Salamandra, Lisboa, 1993: Uma visão agnóstica do Tempo. A justificação do Bem e do Mal, numa perspectiva teísta. Algumas questões mais difíceis da Doutrina e da Moral católicas, segundo a opinião de quem acredita em Cristo e na Sua Igreja, dita Universal, Apostólica e Romana, sem ter a certeza de que Ela seja infalível.

Crónica do Despovoamento das Ilhas (e Outras Cartas de El-Rei) (crónicas históricas), edição Salamandra, Lisboa, 1995: A vida nos primeiros tempos de haver gente nos Açores, ouvida dos velhos cronistas e contada com a ironia da ignorância e da suposta superioridade de ser homem do século XX.

E Deus Teve Medo de Ser Homem (novela), edição Salamandra, Lisboa, 1997: Vinte séculos de humanidade não ensinaram ao Homem a ser humano. O lobo de si mesmo continua tão pérfido como os crucificadores romanos.

As Duas Cruzes do Império – Memórias da Inquisição (romance), edição Salamandra, Lisboa, 1999: O absurdo da Inquisição foi praticar o mal em nome de Deus. O paradoxo do nosso século tem sido destruir milhões de homens e mulheres em nome da Humanidade.

O Pastor das Casas Mortas (novela – 2007) – Foi em casa que se jogou o último desafio de sueca na serra. Ainda lá estavam a mesa, as cadeiras e até a garrafa com o resto da aguardente. Com a partida de mestre João bernardo, no dia seguinte, não ficariam na aldeia mais do que três homens: o tio Amadeu, o Joaquim Torre Velha e Manuel Cordovão. Por isso serão de sueca e despedida teve honras de mutismo em velório que nem os cálices de aguardente animaram.

sábado, 18 de maio de 2013

COMUNICAR EM SEGURANÇA - VÍDEOS A CONCURSO

A nossa BE está a participar no Passatempo Comunicar em Segurança. Este passatempo destina-se a alunos matriculados a partir do 1º ano do 1º ciclo até ao secundário e é composto por um desafio designado por Minuto Seguro. O desafio consiste na gravação de um vídeo , cujo tema é SEGURANÇA ONLINE.  

Sob a Coordenação dos professores Juan Nolasco e Margarida Rosa, os nossos alunos Catarina Vieira, Pedro Amaral e Rafael Costa do 5ºB gravaram 4 vídeos que já foram submetidos a concurso. 

Os vencedores serão seleccionados de acordo com a originalidade e qualidade artística dos seus trabalhos e os resultados serão divulgados até dia 3 de Junho. Aqui estão os nossos vídeos. Vamos torcer por eles!

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Há Poetas na Ilha - Parabéns aos Vencedores!


O grupo de português, a Biblioteca Escolar da EBSSMA e a AJISM, têm o prazer de divulgar os os trabalhos vencedores do Concurso Há Poetas na Ilha, edição de 2013.

TERCEIRO ANO:
Alexandra Leonardo (8 anos) - EB1JI D.António de Sousa Braga
Poema: O ARCO-ÍRIS

QUARTO ANO:

Ex-aequo
Carla Santos - EB1JI de Vila do Porto
Poema: O CORAÇÃO

e

Raoul Kallmeyer (9 anos) - EB1JI - D.António de Sousa Braga
Poema: O FURACÃO

SEGUNDO CICLO

Lucas Pinto 6ºA
Poema: AGUARELA

TERCEIRO CICLO
Hugo Sousa 7ºB
Poema: VERÃO

e

João Ricardo Mendonça 9ºA
Poema: O QUE SOU EU AFINAL?

SECUNDÁRIO

Luisa Terra - Recorrente
Poema: MEU MAR

e

Joana Baptista - 10ºA
Poema: O LIVRO DA SAUDADE


A ENTREGA DE PRÉMIOS, LEITURA DOS POEMAS foi feita no passado dia 26 de abril na FEIRA DO LIVRO DA BIBLIOTECA PÚBLICA DE VILA DO PORTO

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Equipa de Santa Maria vence concurso LER EM PORTUGUÊS

Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, a Rede de Bibliotecas Escolares e o Plano Nacional de Leitura lançaram em 2011.12 o concurso “Ler em Português”, no intuito de promover a utilização da Língua Portuguesa, aumentar as práticas de leitura e aprofundar a troca de experiências entre alunos e professores portugueses e norte-americanos. Na sequência do referido lançamento, as três entidades iniciaram, no ano letivo de 2012.13, a primeira edição do concurso “Ler Em Português”.

Esta iniciativa contou ainda com a colaboração de outras entidades, no acompanhamento e divulgação locais, designadamente a Secretaria Regional da Educação e Formação - Região Autónoma dos Açores, da Secretaria Regional da Educação e Cultura - Região Autónoma da Madeira, do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua - Coordenação do Ensino de Português nos Estados Unidos da América e da Associação dos Professores de Português nos Estados Unidos da América e do Canadá.
Em outubro de 2012, a Biblioteca Escolar de Santa Maria, com o apoio do professor de Informática, Juan Nolasco,  apresentou a sua candidatura, com três alunas do 10º ano, Ana Sofia Freitas, Sara Moura e Carolina Figueiredo  e, em Novembro,  começou a trabalhar no Blogue sobre o tema Liberdade e Segurança numa Sociedade Plural, em conjunto com três alunos da  Escola Secundária Rainha Dona Amélia e três da Science Park High School dos Estados Unidos. De dezembro a março, semanalmente,  os alunos foram colocando posts sobre o tema no blogue e, a 30 de março foi entregue um trabalho final que incluiu textos originais dos alunos sobre o referido tema. 
Estiveram envolvidos no concurso 8 equipas, sendo que cada equipa incluía três alunos de uma escola açoriana,  três alunos de uma escola do continente e três alunos de uma escola nos Estados Unidos. 
A equipa de Santa Maria realizou este trabalho no âmbito das atividades promovidas pelo clube de jornalismo, dinamizado pela Biblioteca Escolar, que  apoiou o projeto em equipamento e recursos bibliográficos e  ofereceu  o apoio pedagógico  necessário  para o acompanhamento dos trabalhos, através da docente a tempo inteiro na BE. O trabalho foi extremamente enriquecedor, especialmente porque envolveu espírito de equipa entre elementos de escolas distantes geográficamente e requereu muita investigação. 
Os utilizadores do blogue da BE  que nos  acompanharam  ao longo dos meses no link que fizemos para o Concurso, poderão agora ver o  trabalho final  e apreciar  todo o projeto vencedor deste concurso. 
Hoje é tempo de festejar. 
Está de parabéns à EQUIPA 2, a Biblioteca Escolar,  os docentes envolvidos e a Escola Bento Rodrigues!!!!

Aqui vai o nosso trabalho final

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Um Livro das Nossas Ilhas - A Lagoa dos Castores e outras

A BE dedica o mês de Maio ao autor açoriano Francisco Cota Fagundes

Natural da freguesia da Agualva, Ilha Terceira, emigrou  cedo para os Estados Unidos, depois de uma infância e adolescência vivida com grandes dificuldade. Tendo começado por valer-se de modestos empregos de recurso,  nunca abandonou os estudos e hoje um  prestigiado professor universitário. Doutorado em Línguas e Literaturas Hispânicas pela Universidade da Califórnia, Los Angeles, é professor catedrático na Universidade de  Massachusetts Amherst.

             Como investigador, tem-se dedicado principalmente à literatura portuguesa contemporânea.


Entre outros livros, publicou A Lagoa dos Castores e Outras Narrativas da Minha Diáspora (2010), livro escolhido para fazer parte do Plano Regional de Leitura açoriano. Um livro que retrata a gente das ilhas dissolvida na América imensa.

 Hard Knocks: An Azorean-American Odyssey (2000) é a sua autobiografia.

Tradutor para o inglês de Mau Tempo no Canal, de Vitorino Nemésio e de O Barão, de Branquinho da Fonseca e co-trandutor dos volumes de poesia Metamorfoses e Arte de Música, de Jorge de Sena.

As suas principais áreas de interesse atual são a Poesia e o Conto Contemporâneos; a Narrativa Oral e Sua Representação Literária; Literatura e Identidade; a Diáspora Portuguesa , com particular relevo para as Literaturas da Emigração e Étnica nos Estados Unidos; Literaturas da Macaronésia; Literatura de Viagens Moderna e  a Interrelação das Artes (poesia e música, literatura em geral e artes visuais).

Francisco Fagundes foi distinguido com a Comenda do Infante Dom Henrique, atribuída pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, em 2001.


domingo, 5 de maio de 2013

Poema à Mãe


No mais fundo de ti, 
eu sei que te traí, mãe 

Tudo porque já não sou 
o retrato adormecido 
no fundo dos teus olhos. 

Tudo porque tu ignoras 
que há leitos onde o frio não se demora 
e noites rumorosas de águas matinais. 

Por isso, às vezes, as palavras que te digo 
são duras, mãe, 
e o nosso amor é infeliz. 

Tudo porque perdi as rosas brancas 
que apertava junto ao coração 
no retrato da moldura. 

Se soubesses como ainda amo as rosas, 
talvez não enchesses as horas de pesadelos. 

Mas tu esqueceste muita coisa; 
esqueceste que as minhas pernas cresceram, 
que todo o meu corpo cresceu, 
e até o meu coração 
ficou enorme, mãe! 

Olha — queres ouvir-me? — 
às vezes ainda sou o menino 
que adormeceu nos teus olhos; 

ainda aperto contra o coração 
rosas tão brancas 
como as que tens na moldura; 

ainda oiço a tua voz: 
Era uma vez uma princesa 
no meio de um laranjal... 

Mas — tu sabes — a noite é enorme, 
e todo o meu corpo cresceu. 
Eu saí da moldura, 
dei às aves os meus olhos a beber, 

Não me esqueci de nada, mãe. 
Guardo a tua voz dentro de mim. 
E deixo-te as rosas. 

Boa noite. Eu vou com as aves. 

                                                                                 Eugénio de Andrade, in "Os Amantes Sem Dinheiro"

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Hora do Conto para o mês de Maio

A Biblioteca Municipal de Vila do Porto pediu-nos que divulgasse a sua "Hora do Conto" para o mês de Maio.

Participem!