terça-feira, 27 de novembro de 2012

Daniel de Sá - mais um escritor com ligações a Santa Maria no Plano Regional de Leitura

Daniel de Sá nasceu na Maia, S. Miguel, a 2.3.1944. Viveu em Santa Maria de 1946 a 1959. Fez o Curso Geral dos Liceus até ao 4º ano no Externato de Santa Maria, e o 5º ano no Externato Ribeiragrandense. Curso do Magistério Primário (Escola do Magistério Primário de Ponta Delgada, 1960/1962). Lecionou de 1962 a 1966, nos Fenais da Ajuda, cumprindo a seguir o serviço militar nas Caldas da Rainha, Tavira e Arrifes (S. Miguel). Depois de um ano como professor na escola do ensino básico da Maia, partiu para Espanha, onde fez o noviciado em Moncada, Valência, onde estudou Filosofia. Frequentou Teologia no Seminário Diocesano de Valência e na Faculdade de Teologia de Granada. Em finais de 1973 regressou a S. Miguel, passando pela escola do ensino básico de S. Brás. A partir do ano letivo de 1974/75 lecionou, até à aposentação, na escola da Maia.

Exerceu vários cargos públicos. Entre outros, foi Secretário Regional (equivalente a diretor regional) da Comunicação Social e Desporto, na Junta Regional dos Açores; deputado nas primeiras duas legislaturas da Assembleia Regional; vereador da Câmara Municipal da Ribeira Grande; e membro da Assembleia Municipal deste concelho.

É um dos escritores açorianos que com mais frequência escolhem cenários não açorianos para situar geográfica e socialmente as suas obras, se bem que raramente viaje para fora do arquipélago. Além disso, normalmente adapta a sua escrita aos tempos históricos e à cultura das personagens. A sua escrita, reveladora de vasta erudição, é muitas vezes ilustrada com histórias reais perspicazmente captadas na ilha, sobretudo na sua Maia.

Ganhou o prémio Nunes da Rosa, da Secretaria Regional de Educação e Cultura, com a novela Um Deus à Beira da Loucura, e foi por duas vezes vencedor do prémio Gaspar Frutuoso, de Literatura, da Câmara Municipal da Ribeira Grande. Primeiro com Crónica do Despovoamento das Ilhas e depois com A Terra Permitida.

O seu livro Ilha Grande Fechada, juntamente com outros de autores também açorianos, fez parte de uma tese de doutoramento sobre Literatura Açoriana e Emigração, na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, de Porto Alegre. O mesmo romance serviu de tema para duas teses de mestrado naquela Universidade, merecendo, em ambos os casos, um elogio do próprio júri. Foi o criador dos Encontros de Escritores Açorianos, tendo organizado os primeiros três, que se realizaram na Maia. É colaborador da imprensa, sobretudo açoriana, desde 1964. Com frequência colabora em blogues publicando versos humorísticos com muita verve. Por vezes as suas colaborações surgem sob a forma de imitação intencional dos estilos de grandes escritores.

Onésimo Teotónio Almeida (ENCICLOPÉDIA AÇORIANA)
OBRAS:

Génese (novela), edição da D.R.A.C. da Secretaria Regional de Educação e Cultura, Angra do Heroísmo, 1982: Durante a Guerra Civil espanhola, Don Francisco Calvera Ten, um padre da província de Valência, teme os Republicanos e não gosta dos Nacionalistas. E deu-lhe em duvidar do próprio Deus…

Sobre a Verdade das Coisas (crónicas-contos), edição da Junta de Freguesia da Maia, 1985: A vida rural de S. Miguel. A ficção ao serviço da realidade, a realidade ao serviço da ficção. Mas onde o real é bem mais forte do que o imaginário.

O Espólio (novela), edição Signo, Ponta Delgada, 1987: Se uma ilha dos Açores sofresse um ataque nuclear, que poderia resultar daí para a felicidade ou infelicidade do Mundo? Talvez nada mais do que o Prémio Pulitzer para a melhor reportagem sobre a tragédia.

A Longa Espera (contos), edição Signo, Ponta Delgada, 1987: E se o Natal fosse um homem vindo de longe, de onde os rios correm sempre, para se sentar diante de uma fonte seca, num sacrifício de implorar a chuva aos Céus e até à sua própria morte? E se o Natal fosse e não fosse o resto?…

Bartolomeu (teatro), edição da D.R.A.C. da Secretaria Regional da Educação e Cultura, Angra do Heroísmo, 1988: Um dos maiores navegadores portugueses de todos os tempos julga-se com direito de ir à Índia. Razões de Estado tiram-lhe esse privilégio em favor de Vasco da Gama, um capitão intransigente. O drama de Bartolomeu Dias, que o não mereceu.

Um Deus à Beira da Loucura (novela), edição da D.R.A.C. da Secretaria Regional da Educação e Cultura, Angra do Heroísmo, 1990: Se Cristo reencarnasse e fosse condenado a um campo de concentração nazi, resistiria melhor do que um prisioneiro ateu?

Ilha Grande Fechada (romance), edição Salamandra, Lisboa, 1992: João peregrina à volta da ilha no cumprimento de uma promessa e na despedida da sua terra antes de emigrar para o Canadá. E acaba por compreender que "sair da ilha é a pior maneira de ficar nela".

A Criação do Tempo, do Bem e do Mal (ensaio), edição Salamandra, Lisboa, 1993: Uma visão agnóstica do Tempo. A justificação do Bem e do Mal, numa perspectiva teísta. Algumas questões mais difíceis da Doutrina e da Moral católicas, segundo a opinião de quem acredita em Cristo e na Sua Igreja, dita Universal, Apostólica e Romana, sem ter a certeza de que Ela seja infalível.

Crónica do Despovoamento das Ilhas (e Outras Cartas de El-Rei) (crónicas históricas), edição Salamandra, Lisboa, 1995: A vida nos primeiros tempos de haver gente nos Açores, ouvida dos velhos cronistas e contada com a ironia da ignorância e da suposta superioridade de ser homem do século XX.

E Deus Teve Medo de Ser Homem (novela), edição Salamandra, Lisboa, 1997: Vinte séculos de humanidade não ensinaram ao Homem a ser humano. O lobo de si mesmo continua tão pérfido como os crucificadores romanos.

As Duas Cruzes do Império – Memórias da Inquisição (romance), edição Salamandra, Lisboa, 1999: O absurdo da Inquisição foi praticar o mal em nome de Deus. O paradoxo do nosso século tem sido destruir milhões de homens e mulheres em nome da Humanidade.

O Pastor das Casas Mortas (novela – 2007) – Foi em casa que se jogou o último desafio de sueca na serra. Ainda lá estavam a mesa, as cadeiras e até a garrafa com o resto da aguardente. Com a partida de mestre João bernardo, no dia seguinte, não ficariam na aldeia mais do que três homens: o tio Amadeu, o Joaquim Torre Velha e Manuel Cordovão. Por isso serão de sueca e despedida teve honras de mutismo em velório que nem os cálices de aguardente animaram.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Madalena Férin - uma escritora "Mariense" no Plano Regional de Leitura

Falecida em Lisboa, Madalena Férin nasceu em 1929, em Vila Franca do Campo, na Ilha de São Miguel, mas foi criada em Vila do Porto, na ilha de Santa Maria.

Era licenciada em Filosofia e técnica superior do Instituto de Meteorologia e Geofísica.

Está representada em diversas antologias poéticas, tendo traduzido volumes da Colecção "Nosso Mundo" e compilou textos em inglês para Culture and Civilization in Portugal (Universidade de Santa Bárbara, Califórnia.
Autora de romances, contos, designadamente para crianças, ensaios e poesia, Madalena Férin recebeu o Prémio Antero de Quental, na modalidade de Poesia,no concurso literário dos Açores/1990.
Vê o filme apresentado na homenagem da Casa dos Açoresno Algarve - 2004